COMO O AGRONEGÓCIO DESTRÓI NOSSAS FLORESTAS

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Como o Agronegócio destrói nossas florestas? Porque o agronegócio é o responsável pela maior parte dos desmatamentos e queimadas?  Qual a finalidade da monocultura da soja? No que implica o cultivo da soja transgênica? Como a pecuária está ligada ao cultivo da soja transgênica?

É impossível falar de impactos ambientais sem tocar na mesma tecla: Consumo inconsciente. É por conta dos hábitos de consumo que toda atividade gera resíduos, algumas mais, outras menos.

Nesse sentido, há atividades que além de gerar resíduos, a forma de manejo também causa prejuízos socioambientais e à saúde pública. No contexto de ranking, liderando a lista, temos o agronegócio, principal propulsor do PIB brasileiro.

Sabemos que resíduos dos rebanhos agro pastoris, emitem gases do efeito estufa e causam contaminação do solo e das águas. Porém verificamos uma certa negação  quanto ao admitir a relação mais do que íntima, entre desmatamento, e agropecuária.

Porque o agronegócio é o responsável pela maior parte dos desmatamentos e queimadas?

Em outras palavras, fecham-se os olhos por conta do dinheiro a qualquer custo que este setor produz. Melhor dizendo: dinheiro a alto custo! Somente na região da Amazônia brasileira, cerca de 437 mil quilômetros quadrados de floresta tropical foram derrubados nos últimos 30 anos.

Parte  dessa terra desmatada é ocupada por pastagens e rebanhos de gado; A outra parte é cultivo de soja, mas sempre com um ponto em comum: São fazendas gigantes, nunca pequenas propriedades.

Estas “propriedades”, na maioria das vezes, estão em terras públicas griladas. O meio de constituí-las é derrubar a mata em primeiro momento. Depois, a madeira nobre é vendida, geralmente de forma  ilegal.

Por fim, o restante é queimado e as cinzas usadas como biomassa para fertilização da terra pré-plantio. Com isso conseguem 3 safras, até voltar à situação inicial e precisarem desmatar e destruir novamente.

Isto ocorre porque, a agricultura exige tratamento e nutrição do solo. Os nutrientes para o solo são vendidos em dólar e negociados no mercado internacional. Os preços são exorbitantes. 

Sem a devida nutrição do solo, a produtividade a cada safra. Até que em um determinado momento, não desenvolve mais nada. Então visando lucros a um suposto custo zero, os fazendeiros desmatam novamente. Dessa forma acreditam que além da adubação, ainda ampliam suas áreas de plantio.

Qual a finalidade da monocultura da soja?

A soja é o principal produto agrícola brasileiro. O país ocupa o posto de segundo maior produtor mundial. Ao passo que, atualmente, os ganhos conquistados pela soja correspondem a 2% de todo o PIB.

Observe que nos campos de soja, são quilômetros e quilômetros de lavoura e nada de mata.

Isto sem mencionar que a área de cultivo quadruplicou nos últimos vinte anos, totalizando 340 mil km². Ou seja, planta-se uma área correspondente ao tamanho da Alemanha apenas de soja. Grão que por sua vez, é o boom do agronegócio.

Os números são impressionantes. A última safra, por exemplo, rendeu 125 milhões de toneladas. Isso coloca o Brasil como o segundo maior produtor de soja no mundo, responsável por 32% da produção mundial.

Por conta destes números, é comum ouvir que o agronegócio brasileiro produz alimentos para o mundo. Frase que não reflete a verdade, quando falamos de soja.

Ao contrário do que tentam fazer pensar, o principal destino da soja, cerca de 87% da produção mundial,  é para ração animal. Outros 6%, são usados na produção de biodiesel e apenas 7% é realmente convertido em alimento para a população.

Além do desmatamento, o avanço das lavouras de soja preocupa ambientalistas de todos os lugares. Até mesmo porque o tipo de cultivo sempre visando aumentar a produtividade, traz outros efeitos como:

  • a presença de agrotóxicos
  • o plantio de variedades transgênicas

Estes fatores dificultam ainda mais a recuperação do solo e o reequilíbrio do ecossistema.

No que implica o cultivo da soja transgênica?

Se houvesse comprometimento dos sojicultores com o meio ambiente, o grande desafio seria  desenvolver esta cultura sem perder a diversidade natural.  Porém com a produtividade apresentada por sementes geneticamente modificadas, faz com que mais de 95% da colheita seja de variedades transgênicas.

Nesse ínterim, além do desmatamento e queimadas, há  impactos ambientais mais graves causados pelo cultivo de transgênicos. Entre eles podemos listar:

  • a diminuição da biodiversidade;
  • a contaminação genética (cruzamento descontrolado de transgênicos com plantas convencionais);
  • o surgimento de superpragas (resistentes a herbicidas),
  • o desaparecimento de espécies;
  • o aumento da utilização de herbicidas;
  • impacto social, uma vez que essas plantas exigem pouca mão de obra ao servirem apenas à produção industrial.

E a lista de desvantagens, não para por aí. Ao passo que o cultivo desses grãos e outros alimentos geneticamente modificados aumenta, estudos levantam os impactos à saúde humana.

O que se sabe por enquanto é que os transgênicos causam aumento dos casos de alergia, principalmente entre crianças. Como também causam aumento da resistência a antibióticos.

Há também estudos, como de toxicidade animal, que apontam outros riscos à saúde. Inclusive constataram que alimentos geneticamente modificados podem afetar toxicamente vários órgãos e sistemas. Foram observados durante algumas pesquisas,  efeitos tóxicos comuns como:

  • hepáticos,
  • pancreáticos,
  • renais
  • reprodutivos
  • e podem ainda alterar os parâmetros hematológicos, bioquímicos e imunológicos.

Como a pecuária está ligada ao cultivo da soja transgênica?

O aumento global do consumo de carne está impulsionando a demanda  por soja para produção de ração. Consequentemente, as florestas estão sendo devastadas para dar espaço para mais cultivo. Isto tanto da pecuária, quanto da soja.

A pecuária é campeã em impactos ambientais: compactam o solo, contaminam o ar, agua e destroem florestas.

Uma vez que o  lucro é o objetivo principal do agronegócio, fica em segundo plano a observação dos impactos ambientais. Dessa forma, assistimos o desenvolvimento de uma agropecuária extrativista e imediatista.

Embora haja uma diversidade de tecnologias para gerir o agronegócio de forma sustentável, ainda preferem as formas primitivas de manejo. Infelizmente muitos dos grandes produtores ainda desmatam, queimam e desperdiçam.

De maneira insana, preferem pagar multas pesadas, ao invés de investir na adequação ambientalmente correta.

Um exemplo da viabilidade e lucratividade de fazer o certo é a Alemanha. Lá é feito aproveitamento de toda matéria orgânica produzida por rebanhos e lavouras, para alimentar biodigestores.  Além de energia térmica e elétrica, esta tecnologia produz biofertilizantes, centenas de vezes mais potentes na nutrição do solo que fertilizantes químicos.

Como resultado do emprego dos biofertilizantes, têm uma produtividade muito maior por metro quadrado de lavoura. Além de evitar que os dejetos dos rebanhos bovinos venham a contaminar o ar, solo e águas. Tudo isso com custo baixo e grandes resultados.

Os administradores do agronegócio brasileiro, precisam repensar o conceito de modernidade para produtividade. Não podemos mais consentir a conversão de áreas de ecossistemas ricos em biodiversidade em monocultura de soja, ou pastagens.

Até mesmo porque, a tendência a médio e longo prazo, é desertificação de regiões inteiras. Sem as florestas, a umidade do ar fica escassa, sem a cobertura original do solo, este empobrece rapidamente. Na atual conjuntura não dá para aceitar meios de produção que visam somente o ganho imediato. Mais importante que o agora, é o amanhã que construímos hoje!

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