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junho 2, 2014
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Panorama do Agronegócio Brasileiro em 2013

O agronegócio brasileiro é um dos maiores do mundo. Com tecnologias sustentáveis pode ser líder absoluto

Em 2013, o cenário de crise da econômica internacional continuava apresentando sinais de modesta, senão passageira, recuperação nos EUA e arrefecimento das expectativas de retomada de crescimento entre os países da Europa, cujos efeitos na contração dos mercados agrícolas têm sido em parte neutralizados pela demanda chinesa e dos demais países emergentes.

Ainda assim, o crescimento da produção e do comércio mundial de grãos nos últimos anos continua inferior ao consumo, agravado pela persistente redução de seus estoques, segundo projeções do International Grains Council, tendo como principais determinantes históricos as recorrentes adversidades climáticas e os baixos ganhos de produtividade e de incremento de área(1) .

Essa insuficiência da oferta agrícola mundial, aliada ao aumento dos preços agrícolas, sobretudo a partir da crise de 2008, e aos ganhos de produtividade e competitividade no Panorama do Agronegócio Brasileiro, contribuiu para assegurar sua crescente inserção no mercado internacional e consolidar o status desfrutado pelo país, como sendo um dos principais produtores e exportadores mundiais de produtos agrícolas.

Após permanecerem longo tempo deprimidos, a partir de meados da década passada os preços agrícolas seguiram uma tendência altista, se situando atualmente em patamares inferiores aos de 2008, mas ainda assim elevados, sendo que as projeções para a próxima década são de que deverão se situar entre 10% e 30% acima dos níveis observados na ultima década(2).

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O índice de preço dos alimentos, composto por cinco das principais comodities agrícolas(3) e medido pela Organização Mundial de Alimentação (FAO), aumentou 33,4% entre 2007 e 2012, período esse caracterizado por acentuada volatilidade de preços. E ao longo dos últimos 12 meses esse índice permaneceu acima da média anual observada em anos anteriores, com a exceção de 2011. E a partir de julho de 2012 os índices de preço dos cereais, das oleaginosas e, sobretudo, do açúcar são declinantes, sendo crescentes os de carnes e lácteos.

No mercado interno, o índice de preço das commodities manteve-se abaixo de sua média histórica (janeiro 2007 a abril 2013) até novembro de 2010, e a partir de então supera persistentemente esse patamar, sendo que para o período abrangido pelos últimos 12 meses as variações de preço foram positivas para boi gordo, suínos, algodão em pluma e dos grãos, e foram negativas para café, milho e soja, além do açúcar(4).

O comportamento dos preços agrícolas nos mercados interno e internacional, a partir de 2007, repercutiu no índice de preço dos alimentos (IPCA – alimentos), mantendo-o persistentemente acima do IPCA, exceto em 2009, e se acentuando em 2013, o que levou o Governo a adotar medidas adicionais inibidoras da volatilidade de preços. Estas medidas consistem em maior estímulo aos investimentos em irrigação e armazenagem, e na inovação tecnológica e modernização prioritária das atividades agropecuárias, como por exemplo o cultivo protegido de hortifrutigranjeiros.

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As condições favoráveis de mercado e a melhoria no apoio ao produtor, por meio de reduções nas taxas de juros e ampliação no volume de recursos de financiamento ao setor, inclusive através do programa de sustentação dos investimentos (PSI), contribuíram para que a produção brasileira de grãos na safra 2012/13 atingisse novo recorde, se situando em 184,1 milhões de toneladas, nível este bem superior ao estimado por ocasião do lançamento do plano agrícola e pecuário para essa safra. Esse incremento de produção se refletiu no aumento da renda do produtor, sendo que o valor bruto da produção em 2013 deverá atingir o montante estimado de R$ 450,7 bilhões, 18,3% acima do observado no ano anterior.

O aumento de 10,8% na produção de grãos na safra 2012/13, em relação à safra anterior, concomitante à elevação nos custos de produção, principalmente fertilizantes, sementes e mão-de-obra, se deve ao aumento na área plantada e, sobretudo, da produtividade. Esse aumento foi liderado pela soja, com uma expansão esperada de 23,4%, e o milho, cuja produção estimada é de um recorde de 77,4 milhões de toneladas.

A estimativa de 53,0 milhões de hectares de área plantada de grãos na safra 2012/13, corresponde a um aumento de 4,2% em relação à safra anterior, bem acima da média histórica da última década, sendo o mesmo verdadeiro para a produtividade média estimada de 3.464 quilos por hectare, cuja taxa histórica de crescimento anual no período 2000 a 2011 é de 2,76%, considerada elevada comparativamente a outros países(5).

Para a safra 2013/14, considera-se que os estímulos de mercado, conjugados com a intensificação do apoio ao produtor rural, principalmente por meio de ajustes nas taxas de juros, aumento na disponibilidade de recursos para o setor e melhoria nas condições de acesso ao crédito e ao seguro rural, possibilitarão alcançar a produção de 190 milhões de toneladas de grãos.

O segmento brasileiro de pecuária, composto por um rebanho estimado em 210 milhões de cabeças, caracteriza-se pelo predomínio do sistema extensivo de produção, sendo que a produção nos últimos 15 anos cresceu à taxa de 5% ao ano.

Essa expansão foi determinada preponderantemente por ganhos de produtividade, decorrentes de avanços nas áreas de melhoramento genético, controle de doenças e pastagens melhoradas.

O atual ganho médio de peso do rebanho bovino, estimado em 53 Kg por hectare ano, está muito aquém das potencialidades do setor, cujo alcance depende, sobretudo, de melhoramento genético do rebanho, recuperação de pastagens degradadas, principalmente no sistema integração lavoura-pastagem ou lavoura-pastagem-floresta, e a massificação de novas tecnologias reprodutivas (FIV, Inseminação em Tempo Fixo – IATF. Essas iniciativas permitirão que o país triplique a produtividade do rebanho bovino, liberando área para a produção agrícola, em cujo sentido contam com o apoio das políticas de seguro rural, de financiamento agropecuário e de sustentação de preços, consubstanciadas no Plano Agrícola e Pecuário 2013-2014.

A expansão do setor de agroenergia, intensificada a partir dos anos 90, levou o país à posição de maior exportador e de segundo maior produtor mundial de etanol(6), e ampliou significativamente sua participação na matriz energética nacional, contribuindo para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, objeto de compromisso assumido pelo país na Conferência do clima de 2.009, em Copenhague.

As florestas plantadas abrangem uma área de 6,5 milhões de hectares e são uma contribuição adicional para tornar a matriz energética nacional mais limpa e sustentável, por meio da oferta de carvão para as indústrias siderúrgicas. A produção de biocombustíveis tem sido questionada em foros internacionais sob a alegação de ter efeitos negativos na produção de alimentos, em termos de menor disponibilidade de área, menor produção de alimentos e aumento de preço. No caso brasileiro esse argumento não procede pelo fato de o país ter ampla disponibilidade de terras agricultáveis, sendo que a cana-de-açúcar para fins energéticos responde por 50,3% (4,2 milhões de hectares) da área total ocupada com essa cultura e 7,9% da área plantada de grãos. Assim, a produção de etanol não tem impacto na produção de alimentos, tampouco em seus preços, pois essa produção e suas exportações têm se mantido crescentes, concomitante ao aumento da produção de bioenergia. Outro aspecto a salientar é o fato de o Brasil não subsidiar a produção de bioenergia, cujo mandato é o de que a mistura de etanol à gasolina se situe entre 18% e 25%.

No que se refere ao comércio internacional tem-se observado menor crescimento das exportações mundiais em decorrência da persistente crise econômica e das baixas taxas de crescimento das economias desenvolvidas, tendo a Organização Mundial do Comércio revisto suas estimativas de crescimento do comércio mundial em 2013, de 4,5% para 3,3%, nível esse que é inferior à taxa média de 5,3% dos últimos vinte anos (1992-2012)(7).

As exportações brasileiras do agronegócio têm crescido mais do que as exportações totais, cujas taxas médias anuais de crescimento no período 2000/12 são de 12,56% e de 12%, respectivamente, sendo que as exportações agropecuárias cresceram a uma taxa ainda maior (15,2%).

Em 2012, as exportações do agronegócio atingiram US$ 95,8 bilhões, o equivalente a aproximadamente 40% do total exportado, e as exportações agropecuárias se situaram em US$ 83,4 bilhões, tendo como principal destaque o aumento das exportações de cereais, farinhas e preparações, sob a liderança do complexo soja, que atingiu US$ 26,1 bilhões, apesar do menor volume exportado. Outros destaques são as exportações dos setores de carnes e sucro-alcoleiro, cujos valores respectivos são US$ 14,9 bilhões e US$ 15,0 bilhões. Estas exportações, juntamente com as do complexo soja, responderam por 58% das exportações do agronegócio.

Nos últimos doze meses, de maio de 2012 a abril de 2013, as exportações do agronegócio atingiram o recorde de US$ 99,6 bilhões, lideradas pelos produtos de origem vegetal com 84,2% desse valor, com destaque para o complexo soja, cujo total exportado foi de US$ 26,5 bilhões. As importações agropecuárias e as do agronegócio tiveram crescimento particularmente elevado em 2010 e 2011, mas este se arrefeceu a partir de então.

Nos últimos doze meses, as importações do agronegócio reduziram 6,5% em relação ao mesmo período anterior, se situando em US$ 16,5 bilhões, o que contribuiu para o superávit de US$ 83,0 bilhões na balança do agronegócio nesse período.

O bom desempenho interno e externo do setor agropecuário se caracteriza pelos elevados níveis de produtividade e pelo continuado crescimento da produção e das exportações, cuja diversificação de sua pauta e de seus mercados de destino constitui avanço importante que contribui para consolidar a inserção do Brasil no mercado agrícola internacional e sua posição de destaque entre os principais produtores e exportadores agrícolas mundiais.

Criação Sustentável de gado leiteiro

Não obstante o mencionado desempenho interno e externo do setor agropecuário e os avanços havidos na modernização da política agrícola e seus instrumentos, permanecem desafios importantes a serem superados em prol da sustentabilidade do seu crescimento. Dentre estes se destacam a consolidação do seguro rural e melhorias em logística e nas condições de infraestrutura produtiva, principalmente armazenagem e irrigação.

A capacidade brasileira de armazenagem pública e privada de grãos não tem acompanhado o crescimento da produção e as mudanças na sua distribuição geográfica, se situando atualmente em 145 milhões de toneladas, o equivalente a aproximadamente 80% da produção, sendo que a recomendação da FAO é de 120%. Essa insuficiência tem efeito negativo para os produtores, que podem se ver obrigados a antecipar a comercialização da safra. Em acréscimo, tem-se que a capacidade de armazenagem do país nas propriedades rurais se situa em 14%, nível este muito baixo em comparação com Austrália (85%), USA (65%) e Argentina (40%), o que deixa os agricultores na dependência de cerealistas e traders, detentores de maior capacidade de armazenagem.

A agricultura irrigada, por sua vez, ocupa uma área de apenas 4,5 milhões de hectares, aproximadamente 8,5% da área de grãos, sendo que o país tem potencial para incorporar mais 30 milhões de hectares irrigados, principalmente nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul. O aproveitamento desse potencial requer a melhoria do acesso aos recursos hídricos e maior disponibilidade de recursos de financiamento em condições mais favoráveis. O maior apoio às atividades de armazenagem e de irrigação é um dos objetivos estratégicos da política agrícola do MAPA, contemplado pelo Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2013-2014.

Dentre os atuais instrumentos de política agrícola e os historicamente utilizados, o crédito rural se destaca por sua contribuição para o aumento da produtividade e da renda do produtor rural. Tem sido crescente a disponibilidade de recursos para o financiamento da agricultura com taxas de juros inferiores às de mercado – recursos controlados -, com ênfase para os investimentos realizados no âmbito dos programas ABC e Pronamp, assim como, mais recentemente, no programa PSI, contribuindo para aumentar a liquidez e a capitalização do setor. Em acréscimo, as condições de financiamento e as normas operacionais do crédito rural têm sido sistematicamente revistas com o objetivo de melhorar o acesso a esses recursos, sendo esta uma das características do PAP 2013-2014.

A disponibilidade de recursos, a juros controlados, para o financiamento da agricultura tem acompanhado a evolução do Valor Bruto da Produção (VBP), mantendo, a partir de 2008, a proporção média de 25% deste. Nesse mesmo período a parcela desses recursos para custeio e comercialização respondeu por aproximadamente 45% das necessidades de recursos para o financiamento da safra, sendo que a participação do credito rural a juros de mercado tem aumentado, e tende a ser intensificada, na permanência de um ambiente de baixas taxas de juros, abrindo espaço para políticas de apoio mais dissociadas da produção.

Recursos de Financiamento Agropecuário

As principais fontes de recursos do crédito rural são os recursos da poupança rural e dos depósitos à vista nos bancos comerciais, seguidos dos Fundos Constitucionais e das linhas de crédito administradas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em 2012 houve acentuada redução na participação dos recursos dos depósitos à vista no financiamento da agricultura, devido à redução dos mesmos no primeiro quadrimestre desse ano, e aumento em relação às demais fontes.

O aumento na participação dos recursos de outras fontes é explicado pela inclusão de recursos provenientes do Tesouro Nacional e dos Depósitos Compulsórios no Banco Central, inexistentes em anos anteriores.

A partir de junho de 2012, a exigência de aplicação de recursos obrigatórios destinados ao crédito rural, foram elevados de 28% para 34% para os depósitos à vista, e de 65% para 68% para a poupança rural, sendo que este ultimo percentual será gradualmente reduzido até atingir 66% em maio de 2015(8). E uma parcela desses recursos obrigatórios destinasse às cooperativas (20%), ao PRONAF (10%) e ao PRONAMP (10%).

Participação das Fontes de Recursos no Financiamento da Agricultura a Juros Controlados

A obrigatoriedade de destinação de parte dos recursos dos depósitos à vista para o crédito rural foi, a partir de junho de 2012, estendida à Caixa Econômica Federal, inicialmente na proporção de 6%, a ser anualmente elevada em sete pontos percentuais até atingir 34% em julho de 2016(9).

A crescente emissão de títulos por empresas do agronegócio e pelo sistema bancário, atrelados aos emitidos pelo produtor rural e derivados de transações agrícolas, contribuiu para aumentar a liquidez do setor e o financiamento agrícola a juros de mercado. E o valor do estoque de títulos do agronegócio em sistemas de registro aumentou de R$ 4.6 milhões em 2007 para R$ 30,4 milhões em 2012(10), sendo que as Letras Creditórias do Agronegócio (LCA) tiveram um crescimento percentual aproximadamente duas vezes superior.

Nas últimas safras, foram realizados ajustes nas normas do crédito rural, objetivando melhorar sua eficácia e contribuir para que os agricultores pudessem melhor enfrentar os danos causados por severas adversidades climáticas e permanecerem em suas atividades. Esses agricultores e os que foram mais fortemente afetados por condições adversas de mercado, sendo este o caso dos avicultores, suinocultores, produtores de arroz, laranja e leite, que tiveram suas dívidas renegociadas. Essas medidas possibilitaram ao país superar a expectativa inicial de produção de 170 milhões de toneladas de grãos na safa 2012/13 e atingir 184,1 milhões.

O excepcional desempenho histórico da agricultura, conforme evidenciado pela evolução de seus indicadores relativos à produção e às exportações agropecuárias, e ao Produto Interno Bruto, tem sido uma contribuição relevante para a estabilidade e crescimento da economia, inclusive especificamente para o controle do processo inflacionário. Esse papel desempenhado pelo setor deverá ser fortalecido com os avanços em curso na melhoria e ampliação da infraestrutura produtiva e de transportes, determinantes para a sustentabilidade da agropecuária. (Fonte: Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014 – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)

Referências

  1. World Agriculture: Towards 2015/2030. An FAO perspective.
  2. Lamy, Pascal. Recommitting to commodity sector development as an engine of economic growth and poverty reduction. World Trade Organization. Global Commodities Forum, Geneva, March 2013.
  3. Carnes, lácteos, cereais, óleos e gorduras vegetais, e açúcar.
  4. CMA Consultoria, Métodos, Assessoria e Mercantil Ltda; BACEN
  5. 22,7 milhões de m3 na safra 2011/12
  6. 22,7 milhões de m3 na safra 2011/12
  7. World Trade Organization. Press Release 688, 10 April 2013
  8. BACEN. Resoluções 4096-4097
  9. BACEN. Resolução 4096
  10. Posição em 31/08/2012
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About gleysson

gleysson

Sou especialista em transformar problemas ambientais em negócios sustentáveis. Formado em Dip. Ing. Verfahrenstechnik (Eng. Química) pela Universidade de Ciências Aplicadas de Frankfurt/M na Alemanha com especialização e experiência em Tecnologias para geração de Energia e Engenharia Ambiental. Larga experiência em Resíduos Sólidos com foco em Biodigestores Anaeróbios

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