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fevereiro 26, 2018
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Sustentabilidade na Suinocultura

Portal do Biogás www.portaldobiogas.com

A sustentabilidade na suinocultura traz benefícios para o meio ambiente, economia para o empreendimento e o bem estar do suíno.

Qual importância do controle do consumo de água na suinocultura? Como promover a sustentabilidade na suinocultura com o uso da água? Qual importância do controle da ração? Como promover a sustentabilidade com o consumo de ração? É possível aproveitar os resíduos sólidos com sustentabilidade e lucros?

Quando pensamos em gestão sustentável no meio rural, poucos setores demonstram um avanço tão significativo nesse sentido quanto a suinocultura. Essa atividade é conhecida historicamente pelo impacto que promove no meio ambiente. Os dejetos que são produzidos são altamente contaminantes quando em contato com solo, água e ar.

Você sabia que esses dejetos dispostos em cursos d’água promove a eutrofização? E que esse fenômeno causa a morte de peixes e torna a água inadequada ao consumo humano? Além disso, esse dejeto torna o solo improdutivo e aumenta o efeito estufa.

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O processo de eutrofização ocorre com o aumento de matéria orgânica e favorece o crescimento de micro-organismos.

Diante desse cenário, a suinocultura passou a ser uma referência no emprego de tecnologias que melhoram a relação do produtor com seu entorno. Uma produção sustentável nos remete à utilização de todos os recursos de forma racional. Em se tratando de meio ambiente, o uso coerente dos recursos naturais adquire maior proporção.

Você sabia que as tecnologias permitem que resíduos altamente impactantes ao meio ambiente, sejam fonte de renda e de sustentabilidade ao seu empreendimento?

A utilização excessiva da água traz consequências negativas para o meio ambiente e para o seu empreendimento com suínos. Esse excesso promove o aumento de resíduos (água residuária) e a dispersão da matéria orgânica nos efluentes. Como consequência teremos um maior custo de tratamento dos dejetos e maior uso de recursos hídricos.

Outro exemplo é a utilização de rações formuladas com os melhores padrões científicos e fornecida de maneira adequada. Essa estratégia proporciona menores volumes de dejetos e menor excreção de nutrientes.

Nossa atuação não deve concentrar apenas na fase posterior à geração dos dejetos, mas em todo o ciclo da suinocultura.  Inicia-se no uso dos insumos, através de planos de gestão da água e rações. Posteriormente, no uso de tecnologias para o tratamento de dejetos produzidos.

Com relação às soluções tecnológicas para tratamento dos dejetos suínos, podemos destacar a biodigestão. Em síntese, é um processo de fermentação anaeróbia (sem a presença de oxigênio) da matéria orgânica realizado dentro de um reator (biodigestor) e os produtos finais são o biogás e o biofertilizante.

Os produtos dessa solução tecnológica são fontes de renda para o produtor.  Portanto, os resíduos que podem causar danos ambientais, quando devidamente tratados, podem se tornar agentes de sustentabilidade ambiental e economia.

Saiba mais sobre essa solução tecnológica em Biodigestor Anaeróbio

Qual a importância do controle do consumo de água na suinocultura?

Os avanços no déficit de água no mundo, as alterações climáticas, o aumento das demandas humana e agrícola exigem uma nova postura perante os estudos do uso racional da água. A aplicação de controle na demanda da água é imprescindível para manter a atividade de produção animal de forma sustentável.

Como promover a sustentabilidade na suinocultura com o uso da água?

Um dos maiores problemas em relação ao consumo de água na suinocultura refere-se ao desperdício. O aumento do consumo de água pela granja nem sempre é devido a maior ingestão pelo animal.  Ocorre também pelo desperdício ocasionado por uma série de fatores. Podemos destacar o manejo e ao tipo de bebedouros, altura, má localização, falhas de funcionamento, ângulo de instalação inadequado dos equipamentos, entre outros.

Bebedouros

Existem no mercado diversas opções de bebedouros que devem ser avaliadas em suas características e benefícios para cada categoria de suíno . Segundo Tavares (2012) o equipamento ideal oferece água limpa, fresca e com desperdício mínimo, com volume pretendido a uma velocidade baixa. As necessidades hídricas dos suínos nas diferentes fases produtivas estão descritas na Tabela abaixo.

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Fonte: Bonazzi (2001)

Variáveis recomendadas conforme o tipo de bebedouro

De acordo com a Embrapa Suínos e Aves, os bebedouros do tipo chupeta devem ter sistema de regulagem de altura.   Os mesmos precisam ser posicionados sempre 5 cm acima da altura do dorso dos suínos. Além disso, deve atender a  relação de dez suínos por bebedouro nas fases de creche, crescimento e terminação (COSTA et al., 2000).

Entenda mais sobre o assunto no vídeo abaixo:

Captação da Água da Chuva para limpeza das instalações

A utilização de sistemas para coleta de água da chuva por meio da captação via telhado e escoamento da água captada por meio de calhas, passando por filtros, antes da armazenagem em cisternas, é prática recomendável por diversas razões.

No uso da água da chuva para limpeza das instalações, não deve existir uma grande preocupação com a qualidade da mesma.  O simples descarte das primeiras chuvas e o uso de um sistema simplificado de filtragem para retirada dos sólidos grosseiros já compreendem um manejo adequado.

Uso de Cisternas na Suinocultura para dessedentação

Quando se pretende usar a água para dessedentação dos animais é necessário garantir a qualidade da mesma. Isso é possível através de filtragens com a retirada do material grosseiro e de matéria orgânica. A cisterna deve ser mantida limpa, sem penetração de raios solares e sem entradas para qualquer material ou tipo de água que não seja a captada pelo telhado; sendo que análises da qualidade da água devem ser feitas com frequência.

As etapas que possibilitam o uso correto do aproveitamento da água de chuva na produção de suínos são:

  1. Identificação de demanda de água na produção de suínos;
  2. Dimensionamento da cisterna em função da demanda de água para a produção animal e a área de telhado disponível para captação;
  3. Construção: avaliação das necessidades para escolha da cisterna e do modelo do sistema de captação;
  4. Desinfecção: tratamento básico com cloração para possibilitar o uso na dessedentação animal

Qual a importância do controle da ração?

Na produção de suínos, em função da alta concentração dos rebanhos, os dejetos podem exceder a capacidade de absorção dos ecossistemas locais. Esse fato leva a um alto potencial de poluição e de problemas de saúde.

Segundo Schultz (2007), em termos comparativos, a geração de dejetos suínos corresponde a quatro vezes o equivalente populacional humano. Isto significa que uma criação com 1.000 animais em terminação corresponde a uma cidade de 4.000 habitantes. A criação com 5.000 matrizes em ciclo completo equivale a uma cidade de 200.000 habitantes.

Os dejetos produzidos pelos suínos, e por qualquer outra espécie animal, são consequência da quantidade dos nutrientes fornecidos na dieta. Portanto, os nutricionistas podem contribuir para a solução da poluição ambiental pelos dejetos suínos. Isso através de dietas formuladas para menor excreção de nutrientes e utilizadas em sistemas de produção que operam com o conceito de produção mínima de dejetos (LIMA, 2007).

Como promover a sustentabilidade com o consumo de ração?

O Electronic Sow Feeding (ESF) como é conhecido o Sistema de Alimentação Eletrônica permite o fornecimento preciso da quantidade de ração que cada matriz necessita sem desperdício. Isso permite um ganho ambiental expressivo se comparado com sistema de alimentação tradicional de reprodutoras suínas.

Neste sistema o nutricionista formula a dieta de acordo com a necessidade da fase de gestação. Além disso adequa a quantidade fornecida por animal conforme a ordem de parto, fase gestacional, peso vivo (DIAS; SILVA; MANTECA, 2014).

Esse modelo é muito utilizado em países europeus por razões de bem-estar animal, mas tem sido uma opção de escolha para os novos projetos de granjas brasileiras.  Além dos benefícios econômicos em termos de racionalização da alimentação e mão-de-obra, permite o fornecimento de alimentos para grandes grupos de fêmeas alojadas coletivamente (DIAS; SILVA; MANTECA, 2014).

É possível aproveitar os resíduos sólidos com sustentabilidade e lucros ?

O aproveitamento econômico dos dejetos é um termo mais adequado para o que se convencionou chamar de “tratamento dos dejetos”. Na realidade, em sistemas de produção animal, raramente se utiliza sistemas de tratamento dos efluentes. Utiliza-se tecnologias e sistemas de manejo para aproveitamento ou simplesmente distribuição dos dejetos no solo.

Nesse sentido, a cadeia de produção de suínos procura alternativas que reduzem o impacto ambiental e o custo com esse manejo. E também agreguem valor a esta matéria prima de alta qualidade.

Entenda como aproveitar os resíduos sólidos de forma sustentável e com lucros

Os relatórios apontam a produção animal como uma das principais emissoras de GEE. Isso motiva movimentos populares para a redução e exclusão do consumo de carne. Esse impacto da atividade pode ser eliminado pela adoção de métodos de processamento dos dejetos como a biodigestão.

O biodigestor anaeróbio promove o processo de biodigestão anaeróbia e com isso contribui com a sustentabilidade. Esse equipamento é responsável por diminuição dos GEEs, tratamento dos dejetos e por ganhos econômicos. Após o processo, há a formação de dois produtos , o biogás e o biofertilizante. O biogás é fonte de energia térmica e elétrica e o biofertilizante é fonte de adubo orgânico.

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O biodigestor rural em Rosdorf é resultado de um caso de sucesso em uma parceria entre agricultores, empresa de engenharia e distribuidor de energia. (Foto: Gleysson B. Machado)

Saiba mais sobre essa solução tecnológica em Biodigestor Anaeróbio

 

Fonte:

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Suinocultura de baixa emissão de carbono: tecnologias de produção mais limpa e aproveitamento econômico dos resíduos da produção de suínos. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Mobilidade Social, do Produtor Rural e do Cooperativismo. – Brasília : MAPA, 2016.

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About Cecília Matos Queiroz

Cecília Matos Queiroz

Possui graduação em Engenharia Agrícola e Ambiental pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Formada em Engenharia Civil pela Faculdade Integrada Pitágoras (FIPMOC). Apresenta experiência e pesquisas com foco em Biodigestores Anaeróbios.

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