Urgência ambiental: Agronegócio na mira da COP26

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Estamos no presente futuro hostil que ouvimos falar a vida toda. Aquecimento global, extinção em massa de animais e colapso da humanidade. E o pior: não podemos fugir numa nave, não todos nós. Crise hídrica, pandemia do coronavírus e ainda, crise climática… E os dias correm.

O que é Efeito Estufa? O que é a COP26? Agronegócio: campeão na emissão de gases do efeito estufa. Um supervilão no combate ao aquecimento global. O que o Brasil propôs na COP26 para transformar o agronegócio em produção sustentável?

Parece estranho tantas notícias, protestos, pactos e críticas sobre impactos ambientais? Você se pergunta: por que isso agora? Posso adiantar que não é paranóia ou “castigo do Criador”.

O aquecimento global causado pelo efeito estufa, vem se agravando desde a revolução industrial. A ameaça é real e há quase 50 anos reúne países do mundo todo para traçar medidas de contenção.

O que é Efeito Estufa?

o efeito estufa é o resultado da queima de combustíveis fósseis, da emissão de gases poluentes ppor automéveis, fábricas e na decomposição de resíduos orgânicos
É hora de rever nossos hábitos de produção e consumo para garantir vida na Terra.

O famoso “efeito estufa” é provocado por gases poluentes que deixam a atmosfera mais grossa. Assim, os raios solares entram aqui, e muitos deles não conseguem sair. Dessa forma, as temperaturas aumentam e o planeta aquece mais.

O gás poluente mais conhecido é o carbônico (CO2); vem da fumaça dos carros, chaminés e descargas das fábricas e das queimadas de lavouras e florestas. Outro gás do efeito estufa é o metano (CH4), produzido no lixo orgânico (restos de alimentos); e também por porcos e rebanhos.

As comprovações científicas sobre a destruição que nossa falta de consciência vem causando são discutidas há muito tempo. O marco desta discussão foi a Conferência de Estocolmo ou Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. Este primeiro de muitos eventos organizados pela ONU – Organização das Nações Unidas, aconteceu entre 5 e 16 de junho de 1972, na capital da Suécia.

Desde então, metas são estabelecidas, mas até agora, os avanços são lentos e a batalha é constante. O evento mais recente acerca do clima foi a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cúpula da ONU para debate sobre questões climáticas, realizada entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro deste ano, em Glasgow, na Escócia.

O que foi a COP26?

A 26ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática, mais conhecida pela sigla COP26, é a principal cúpula da ONU para debate sobre questões climáticas. Foi realizada de 1 a 12 de novembro de 2021, em Glasgow, na Escócia.

Todos os anos, os estados-membros da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC) se reúnem para revisar os termos do tratado de mesmo nome. Este tratado foi assinado em 1992, durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro.

Participam da conferência, os estados-membros da UNFCCC – Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. Ao todo, são 197 países representados por seus chefes de Estado e outros membros do poder público. Na conferência também podem participar representantes de empresas, organizações internacionais, associações e outras entidades interessadas, mas apenas na categoria de observadores do evento.

A COP26 é a primeira após o Acordo de Paris em que os países têm que atualizar as contribuições para diminuição das emissões de gases efeito estufa. Esta reunião é avaliada pela maioria dos especialistas no assunto como fundamental e decisiva para o futuro do planeta.

Dos debates realizados na convenção, um dos principais foi a elaboração de ações para capacitar e incentivar os países afetados pela mudança climática a proteger e restaurar os ecossistemas. Como também construir defesas, implementar sistemas de alerta, eliminar o uso de combustíveis fósseis e tornar a agricultura mais resiliente.

Agronegócio: campeão na emissão de gases do efeito estufa

Ao contrário do que se pensa, o arroto dispersado por rulminantes de forma geral, são um grande problema no combate do aquecimento global
O verdadeiro papel dos bois no aquecimento global. Uma vaca produz mais gases-estufa que um carro.

A COP26 incluiu pela primeira vez a intenção de promover o abandono progressivo de energias fósseis – como carvão, petróleo e gás – e a necessidade de os países aumentarem suas metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa já no ano que vem, e transição para energias renováveis.

A queima de combustíveis fósseis no transporte ou em atividades industriais é uma das maiores responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. O uso de tais fontes de energia, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), causa o aumento de 1,5ºC a 2ºC por ano, o que pode comprometer a ordem econômica e social mundial atual.

A carne, principalmente bovina, é a grande “vilã” no combate ao aquecimento global e entrou na mira das discussões da COP26. Segundo o Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), o setor do agronegócio respondeu por 69% das emissões do país em 2018. No período de 1990 até 2017, o agro responde por cerca de 80% das emissões brasileiras.

Um supervilão no combate ao aquecimento global

A ONU, Organização das Nações Unidas, relata: “A criação de animais para o consumo humano é responsável pela destruição das florestas, pela desertificação, pela escassez da água, poluição do ar, chuvas ácidas e erosão do solo”.

Desde 2017, o câmbio favorável ao agronegócio estimula a derrubada de matas para abertura de novas áreas para produção agropecuária. Isto desencadeou um aumento alarmante das queimadas. Entre 2017 e o primeiro trimestre de 2021, o desmatamento da Amazônia cresceu 42%.

Além da emissão de gases do efeito estufa, a agropecuária é responsável por desmatamentos e incêndios em florestas
O agronegócio brasileiro é uma ameaça. Somos o país que mais desmata no planeta – 6.600 quilômetros quadrados na Amazônia só no ano passado, e 50% mais do que isso no cerrado.

Em 2016, a agropecuária, emitiu sozinha, 487 milhões de toneladas de CO2 equivalente de metano. A média/ano de metano lançada no ar por cada animal chega a 54 quilos de gases, isso somente no processo de ruminação. Um carro 1.0 precisa rodar 3.500 km para produzir a mesma quantidade de poluentes.

O estrago não para por aí! O alto consumo de água, energia elétrica e combustíveis fósseis pelo agronegócio, também estão na lista. Em plena crise hídrica, a cada um real de valor bruto gerado pela agropecuária, são gastos cerca 91,5 litros de água doce e limpa, que não chega às cidades.

Some a tudo isto o despejo de boro, fósforo, mercúrio, bromo, chumbo, arsênico, cloro provenientes de fertilizantes e defensivos agrícolas, que se infiltram no solo e atingem os lençóis freáticos; mais despejo de antibióticos, hormônios, analgésicos, bactericidas, inseticidas, fungicidas, vacinas e outros fármacos, via urina, fezes, sangue e vísceras, que atingem os lençóis freáticos.

Esta devastação faz o país patinar no objetivo de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, e perder credibilidade junto a investidores externos. E consequentemente, contratos de exportações.

O que o Brasil propôs na COP26 para transformar o agronegócio em produção sustentável?

o desmatamento e o aumento das queimadas e do rebanho bovino no Brasil, podem levar regiões inteiras à desertificação

O Brasil foi uma das nações que aderiram ao compromisso global para redução das emissões de metano e a declaração de florestas e uso da terra. Na proposta, entre as estratégias para reduzir a emissão de metano na pecuária do país, estão:

  • O melhoramento genético de pastagens;
  • O desenvolvimento de alimentos mais digestíveis para os animais;
  • O melhoramento genético dos animais, que permite o abate precoce;
  • Também está em estudo a utilização de aditivos que podem ser agregados na alimentação animal, com substâncias como taninos e óleos essenciais.

Infelizmente, tirando a proposta de agroflorestas, o Brasil não apresentou nada além de projetos de mutações genéticas vegetal e animal. Isto deixa claro que nossos líderes continuam na “bolha”, supervalorizando a desconfiguração de espécies, o que também afeta diretamente vários biomas.

Boa parte das emissões de gases tóxicos e contaminação do solo e águas, podem ser resolvidos com a implantação de tecnologias verdadeiramente sustentáveis. Biodigestores nas propriedades rurais, por exemplo, além de transformar todos tipos de resíduos orgânicos em matriz energética, elimina o uso de combustíveis fósseis e recursos hídricos.

nfelizmente, as políticas públicas parecem estar voltadas a incentivar a ciência a brincar de Deus. Alterações genéticas, isto é sustentável? Quais as consequências e os custos a médio e longo prazo? E os resíduos orgânicos provenientes do agronegócio, serão pensados quando?

Esta eloquência por soluções paliativas e com potencial para mais problemas futuros, excluem soluções que realmente equilibrem o meio ambiente respeitando a natureza que era perfeita e sincronizada antes das ações humanas.

“Se quisermos limitar o aquecimento global e manter vivo a meta de 1,5C, então o mundo precisa usar a terra de forma sustentável e colocar a proteção e restauração da natureza no centro de tudo o que fazemos”. Alok Sharma – presidente da COP26

 

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